Julinho

  • Escrito por Francisco Dandão

Nascido no interior do Acre, artilheiro parou de jogar prematuramente, um pouco antes de completar 23 anos

Julinho, ex-atacante do futebol acreano em foto atual - Foto/Francisco DandãoJulinho, ex-atacante do futebol acreano em foto atual - Foto/Francisco DandãoA carreira do jogador de futebol xapuriense Júlio Dias Figueiredo Filho, o Julinho, foi extremamente breve. Basicamente entre os anos de 1979, no Vasco da sua cidade natal, e 1986, em um time do Equador chamado Juventus. Ele foi um atacante artilheiro por onde passou, mas um detalhe curioso precisa ser ressaltado: ele começou jogando como goleiro.

Julinho, no primeiro semestre de 1979, aos 15 anos (ele nasceu em 7 de setembro de 1963), resolveu ser o mais novo "paredão" de Xapuri, primeiro no Vasco e depois no América. Até que um dia, num jogo em Cobija (Bolívia), quando o América perdia por 3 a 0, ele foi para o ataque e marcou três gols. Daí pra frente, ele nunca mais deixou de ser centroavante.

A exibição de Julinho encheu tanto os olhos dos bolivianos que ele, juntamente com o parceiro Pipiúna, foram imediatamente contratados por um time de Cobija. Todos os finais de semana os dois amigos eram levados de Xapuri para a fronteira num carro especial. Como pagamento, eles recebiam dois barris de gasolina que vendiam quando voltavam pra casa.

"Eu não tenho ideia, em valores de hoje, do quanto valia um barril daqueles de gasolina que eu ganhava por semana para jogar no campeonato do Departamento de Pando, mas sei que rendia um dinheiro legal. O dinheiro da venda do barril de gasolina dava para eu e o Pipiúna fazer umas boas farras. Nós tínhamos até clientes cativos", recordou Julinho divertido.


Vasco da Gama (Xapuri) - 1979. Em pé, da esquerda para a direita: Chico Evangelista (presidente), Afonso, Mendonça, Djair, Jânio Maia, Julinho, Chegué e Sadi Noel. Agachados: Aliardo, Mário Jorge, Aldenor, Sarrafinha, Vaguinho e Jefferson - Foto/Acervo João Garrinha

Mudança para a capital e outras camisas no currículo

Em 1982, Xapuri e Cobija ficaram pequenas para o futebol de Julinho. E então, o Vasco da Gama, da capital acreana, tratou de levá-lo para a Fazendinha. "Havia um monte de garoto bom de bola naquele ano no Vasco. Tinha o Caçula, o Carlinhos Magno, o Catuaba, o Boroco, o Nego, o Neném... Todo mundo jogava pra caramba", garantiu Julinho.

No ano seguinte o que ficou pequeno para o talento de Julinho foi o próprio Vasco da Gama. E então sobreveio nova mudança. O atacante foi jogar no Rio Branco, a pedido do técnico Antônio Leó. A transferência lhe valeu também, quase imediatamente, uma vaga na seleção acreana de juniores, que disputou uma competição nacional no mesmo ano de 1983.

"A minha ida para o Rio Branco causou um mal estar danado com o pessoal do Juventus. É que eu tinha um compromisso com o Elias Mansour [presidente juventino] para jogar no Clube da Águia. Mas acontece que o dinheiro que me foi oferecido pelo Rio Branco, através do presidente Wilson Barbosa, era irrecusável", explicou Julinho em tom de desculpas.

Julinho ficou somente um ano no Rio Branco. Em 1984, com a chegada do técnico Coca-Cola, o Estrelão entendeu que ele, o Roberto Ferraz e o Mário Sales não mais serviam. Roberto parou de jogar, Mário foi para o Atlético e Julinho foi para o Independência. "Foi melhor pra mim. O Independência montou um timaço. Só faltou um título", disse o ex-craque.


Seleção Acreana de Juniores - 1983. Em pé, da esquerda para a direita: Carlos, Noca, Klowsbey, Delcir, Sabino, Niltinho, Isaac e Pipiúna. Sentados: Mauricinho, Venícius, Antônio Júlio, Julinho, Álvaro Miguéis, Ericsson e Fran - Foto/Acervo Francisco Dandão

Lesão no joelho e aventura internacional

Antes do seu aniversário de 22 anos, no primeiro semestre de 1985, já vestindo a camisa do Atlético Acreano, Julinho sofreu uma violenta torção no joelho, durante uma sessão de treinos no estádio Armando Jobim. Sobreveio uma lesão que ele jamais conseguiu curar. Mesmo assim, ele ainda defendeu, no ano seguinte, um time equatoriano chamado Juventus.

"Foi um período legal no Equador, numa cidade chamada Esmeralda. Quem me levou foi o Rosalvo [empresário que jogou no Atlético na década de 1970]. Pena que eu já estava com o joelho lesionado. Mesmo assim, ainda deu para deixar o meu nome na história do time de lá. Essa lesão no joelho me fez entender que eu devia voltar para casa", explicou Julinho.

O Juventus do Equador foi o último time do Julinho, profissionalmente falando. Daí ele migrou para o futebol de salão. Ficou nesse esporte por quatro anos (de 1987 a 1990). "Eu fui estudar Educação Física em Tupã, interior de São Paulo. Aí joguei num time de uma cidade vizinha, Adamantina. Paguei o curso com o dinheiro do salão", disse ele.

Atualmente, Julinho mora em Xapuri, sua cidade natal. Ele ganha a vida como funcionário da prefeitura do município e como gestor de uma empresa estatal. Aos sábados reúne os amigos no Ninho do Urubu, uma espécie de clube pra abrigar torcedores do Flamengo. Seu projeto de futuro é fundar uma entidade esportiva que possa unir toda a região do Alto Acre.


Rio Branco - 1983. Em pé, da esquerda para a direita: Chicão, Ilzomar, Neórico, Mário Sales, Paulo Roberto e Eco. Agachados: Roberto Ferraz, Gil, Mariceudo, Carioca e Julinho - Foto/Acervo Francisco Dandão


Atlético Acreano - 1985. Em pé, da esquerda para a direita: Cleiber, Hilton, Tinda, Cídio, Xepa e Ricardo. Agachados: Amarildo, Casquinha, Joãozinho, Álvaro Miguéis e Julinho - Foto/Acervo Júlio Figueiredo


No recorte do jornal,a notícia da transferência de Julinho para o Equador - Foto/Cedida