Palheta

  • Escrito por Francisco Dandão

Zagueiro é considerado um dos maiores "xerifes" da história do futebol acreano

Waldemir Palheta Torres aos 68 anos - Foto/Francisco DandãoWaldemir Palheta Torres aos 68 anos - Foto/Francisco DandãoNascido em Manaus, no dia 9 de março de 1947, o cidadão Waldemir Palheta Torres estreou como jogador de futebol em 1962, aos 15 anos, na lateral-direita dos juvenis do Fast Club da sua cidade natal. Daí até 1982, quando pendurou as chuteiras, aos 35 anos, defendendo o time do Sul-América, também da capital amazonense, foram vários os títulos conquistados e uma passagem gloriosa pelo futebol acreano.

Nos anos de 1964 e 1965, Palheta mudou de time duas vezes, passando, respectivamente, por Nacional e São Raimundo, sempre na condição de juvenil. Mas foi em 1966, ao ingressar como soldado no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Sigs) do Exército Brasileiro, ainda em Manaus, que o seu destino de se tornar um dos melhores zagueiros do futebol acreano começou definitivamente a ser traçado.

A mudança entre estados aconteceu justamente por causa do futebol. É que um capitão de nome Dualib, que exercia suas funções na 4ª Companhia de Fronteira, com base em Rio Branco, entendeu que Palheta era o nome certo para reforçar o Grêmio Atlético Sampaio (GAS), time da corporação que disputava o campeonato de futebol amador do Acre. Convite feito, convite aceito. Palheta se mudou e ficou por dez anos.

Palheta mudou para o Acre no final de 1966, integrando inicialmente a equipe juvenil do GAS, como lateral-direito, sua posição de origem. No ano seguinte, alçado à equipe principal, numa emergência, Palheta foi escalado para a posição de zagueiro central. Jogou tão bem que nunca mais deixou a titularidade. Defendeu o GAS em dois campeonatos, sendo campeão em 1967, mas no final de 1968 o time foi extinto.

Seis campeonatos e três títulos pelo Independência

Extinto o Grêmio Atlético Sampaio, Palheta passou a ser objeto de desejo de todos os times acreanos. Três deles fizeram convites formais ao zagueiro: o Vasco, o Juventus e o Independência. Palheta ainda chegou a treinar no Juventus, mas acabou mesmo optando por vestir a camisa do Tricolor do Marinho Monte, onde permaneceu durante seis anos, sagrando-se três vezes campeão estadual (1970, 1972 e 1974).

"Eu fui para o Independência por causa do capitão Maia Barbosa. Ele disse que eu deveria jogar no time do Eugênio Mansour. Além disso, os dirigentes do Tricolor me ofereceram uma ótima gratificação. É que embora o futebol acreano fosse amador, todo mundo ganhava alguma coisa para jogar. Eu, por exemplo, fui para o Independência ganhando o dobro do que eu ganhava no Exército", afirmou Palheta.

"O meu primeiro parceiro de zaga no Independência foi o Praxedes, que era primo ou irmão do Jangito. Isso em 1969. Mas o melhor parceiro de zaga foi o Deca, que eu só chamava de Sarapó [às gargalhadas]. Nós dois, mais o Zé Augusto no gol, com o Chico Alab e o Flávio nas laterais, formávamos uma zaga excelente. Se a bola passasse, o atacante adversário ficava, não tinha essa não", garantiu Palheta.

Sobre o melhor esquadrão que ele integrou, Palheta não hesita em escalar o Independência do início da década de 1970: "Zé Augusto; Chico Alab, eu, Deca e Flávio; Zé Maria Escapulário e Aldemir Lopes; Bico-Bico, João Carneiro, Jangito e Tonho. Meu amigo, esse era um time só de craques, do goleiro ao ponta-esquerda... Todo mundo sabia jogar bola, todo mundo jogava muita bola", disse o ex-zagueiro.

Passagem pelo futebol carioca e fim de carreira

Em fevereiro de 1977, Palheta migrou para o Rio de Janeiro, para fazer um curso de formação de sargento do Exército. Ficou um ano na capital carioca e, apesar da intensidade das aulas, teve tempo para integrar por seis meses o time de profissionais do Bangu, treinado pelo ex-zagueiro Moisés. Jogou pouco, apenas quatro partidas, todas amistosas. Quando ia se firmar, teve que voltar para o Norte.

De volta a Manaus, Palheta recebeu convites do Nacional, do São Raimundo e do Fast Club para voltar a defendê-los nos campos amazonenses. O seu trabalho no Exército, porém, não permitiu que ele pudesse fazê-lo. Somente em 1982, aos 35 anos, é que Palheta, mediante uma licença especial das suas funções, conseguiu jogar outra vez, defendendo as cores do Sul-América. Foi o seu canto do cisne no futebol.

Sobre sua fama de ser um zagueiro violento, Palheta explicou que tanto sabia jogar bola quanto dar pancada. "Quando eu tava com a bola nos pés, saía jogando na boa, tocando com categoria. Mas quando o atacante vinha na minha direção, eu não contava conversa, chegava junto mesmo... A questão é que eu entrava sempre pra ganhar o lance... Se eu estava com a bola, eu era clássico; se não estava, era duro."

Aposentado do Exército desde 1994, Palheta leva hoje uma vida tranquila na sua Manaus. Depois de trabalhar como empresário do ramo da tapeçaria até o ano passado, hoje ele se dedica à atividade de líder comunitário, como vice-presidente da Associação de Moradores do Jardim Petrópolis. Fora isso, uma das coisas que mais lhe dá prazer é contar suas histórias de atleta vencedor. É só alguém puxar a conversa.

Grêmio Atlético Sampaio (juvenil) - 1966. Em pé, da esquerda para a direita: Rosimar, Arthur, Asfury, Palheta, Romeu, Hélio Pinho e Sargento Assis (técnico). Agachados: Vasconcelos, Edson Carneiro, Abelardo, Arivaldo e Aldo - Foto/Acervo Edson CarneiroGrêmio Atlético Sampaio (juvenil) - 1966. Em pé, da esquerda para a direita: Rosimar, Arthur, Asfury, Palheta, Romeu, Hélio Pinho e Sargento Assis (técnico). Agachados: Vasconcelos, Edson Carneiro, Abelardo, Arivaldo e Aldo - Foto/Acervo Edson Carneiro 

Grêmio Atlético Sampaio - 1967. Em pé, da esquerda para a direita: Toinho, Viana, Palheta, Pional, Chico Alab e Rocha. Agachados: Amílcar, Zé Augusto, Babá, Rui Macaco e Ailton - Foto/Acervo FFACGrêmio Atlético Sampaio - 1967. Em pé, da esquerda para a direita: Toinho, Viana, Palheta, Pional, Chico Alab e Rocha. Agachados: Amílcar, Zé Augusto, Babá, Rui Macaco e Ailton - Foto/Acervo FFAC 

Independência - 1969. Em pé, da esquerda para a direita: Chico Alab, Ociraldo, Hélio Pinho, Flávio, Sapateiro, Palheta e Aldemir Lopes. Agachados: Jangito, Mário Duarte, Dimiro, Bebé, Bico-Bico e Escapulário - Foto/Acervo Paulo EdsonIndependência - 1969. Em pé, da esquerda para a direita: Chico Alab, Ociraldo, Hélio Pinho, Flávio, Sapateiro, Palheta e Aldemir Lopes. Agachados: Jangito, Mário Duarte, Dimiro, Bebé, Bico-Bico e Escapulário - Foto/Acervo Paulo Edson

Independência - 1969. Em pé, da esquerda para a direita: Agrícola, Palheta, Praxedes, Vute Vilanova, Chico Alab e Hélio Pinho. Agachados: Escapulário, Aldemir Lopes, Dimiro, Bico-Bico e Jangito - Foto/Acervo Francisco DandãoIndependência - 1969. Em pé, da esquerda para a direita: Agrícola, Palheta, Praxedes, Vute Vilanova, Chico Alab e Hélio Pinho. Agachados: Escapulário, Aldemir Lopes, Dimiro, Bico-Bico e Jangito - Foto/Acervo Francisco Dandão 

Independência - 1970. Em pé, da esquerda para a direita: Ociraldo, Chico Alab, Jorge Floresta, Palheta, Illimani, Flávio, Otávio e Alício Santos (técnico). Agachados: Bico-Bico, Aldemir Lopes, Jangito, João Carneiro, Escapulário e Bebé - Foto/Acervo Francisco DandãoIndependência - 1970. Em pé, da esquerda para a direita: Ociraldo, Chico Alab, Jorge Floresta, Palheta, Illimani, Flávio, Otávio e Alício Santos (técnico). Agachados: Bico-Bico, Aldemir Lopes, Jangito, João Carneiro, Escapulário e Bebé - Foto/Acervo Francisco Dandão 

Seleção da 4ª Companhia de Fronteira - 1972. Em pé, da esquerda para a direita: Toinho, Palheta, Anazildo, Rocha, Louzada, Sérgio e Chico Muniz. Agachados: Santarém, Erádio, Vaisquerer, Norberto, Juca e Sargento Hugo - Foto/Acervo Francisco DandãoSeleção da 4ª Companhia de Fronteira - 1972. Em pé, da esquerda para a direita: Toinho, Palheta, Anazildo, Rocha, Louzada, Sérgio e Chico Muniz. Agachados: Santarém, Erádio, Vaisquerer, Norberto, Juca e Sargento Hugo - Foto/Acervo Francisco Dandão 

Independência - 1973. Em pé, da esquerda para a direita: Zé Augusto, Lelé, Flávio, Palheta, Melquíades e Eró. Agachados: Bico-Bico, Sílvio, Aldemir Lopes, Nostradamus e Bolinha - Foto/Acervo Francisco DandãoIndependência - 1973. Em pé, da esquerda para a direita: Zé Augusto, Lelé, Flávio, Palheta, Melquíades e Eró. Agachados: Bico-Bico, Sílvio, Aldemir Lopes, Nostradamus e Bolinha - Foto/Acervo Francisco Dandão

(Texto publicado originalmente em Futebol Acreano em Revista - Edição nº 5 - Dezembro de 2015)